Património da vila de Aljubarrota


Praça do Pelourinho

Ex-libris de Aljubarrota, esta praça, verdadeira sala de visitas da Vila, conjuga a harmonia da sua dimensão e equilíbrio com a notoriedade dos monumentos que a preenchem, a saber:
Pelourinho, símbolo da justiça, de frute cilíndrico monolítico encimado por uma esfera e um escudo, coberto com um chapéu cardiálgico, talvez aludindo ao Cardeal Rei D. Henrique, que foi abade comanditário em Alcobaça.
A Torre sineira ou Torre do relógio data da época de D. Sebastião, que no Mosteiro de Alcobaça passou largo tempo da sua juventude. A Torre, símbolo do poder civil. está separada da Casa da Câmara (hoje sede das Juntas de Freguesia) constituindo um modelo arquitetónico muito belo e raro.

Igreja da Misericordia (no largo do pelourinho)

No topo nascente fica a igreja da misericórdia, o que resta de um conjunto que incluía o Hospital do Espírito Santo.
Do lado sul localiza-se a Casa do Celeiro, local onde eram pagos os dízimos e rendas devidas pelos arrendatários das terras dos termos da vila ao Mosteiro de Alcobaça, donatário da vila. Edifício de grande solidez e grossíssimas paredes é bem o exemplar de uma arquitetura rústica de idade secular.
O conjunto constituído pelo pelourinho, torre sineira isolada e casas das Juntas, constitui um dos mais belos exemplares arquitetónicos, no seu género, existentes no País.

Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres

O primeiro templo a existir naquele local terá sido construído no século XIII, do qual subsiste atualmente o magnífico portal românico.

Constitui o mais antigo monumento de Aljubarrota e o de maior relevo histórico. Nesta igreja ouviu missa e rezou o Condestável D. Nuno Álvares Pereira no dia 14 de Agosto de 1385, antes de se dirigir para a frente de batalha, nos campos de S. Jorge.

A Igreja está classificada como imóvel de interesse público desde 1959. Monumento de características raras que engloba vários estilos (romântico, gótico, renascentista e barroco) este facto deve-se às sucessivas reconstruções que foram sendo feitas ao longo dos tempos.

No interior, deparamo-nos com um coro alto de balaustrada de madeira, assente em quatro grossas colunas dóricas de pedra calcária, e à esquerda situa-se o batistério com uma volumosa pia batismal, monolítica, em forma de taça septagonal.

Ainda na zona de entrada, destaca-se as pias de água benta, igualmente monolíticas, com um grande recetáculo assente em peanhas altas.

O templo é de nave única coberta, com três panos de madeira, sendo a capela-mor abobadada. Na parede do lado direito, a partir da entrada, ganha corpo uma belíssima capela renascentista, e a mesma parede continua a apresentar um púlpito de pedra, retângular, ornada com motivos geométricos e assente em mísula curvilínea, logo seguido de um grande nicho que acolhe o Anjo Gabriel.

A parede termina rasgada pelo grande arco gótico que abre para a capela medieval dos fundadores, MartimPalença e esposa, cujos sarcófagos estão ali patentes.

Em frente, na parede contrária, um outro altar lateral, votivo a Santo António, é emoldurado por pedra finamente lavrada, também ao gosto renascentista.

Na capela-mor em abóbada com nervuras rematadas por florão, encontram-se molduras em tratamento barroco, nas portas e janelas. De estilo maneirista, esta capela foi alterada e apresenta um conjunto de altar e retábulo de mármore rosa e branco de grande imponência. Ladeando o arco cruzeiro de grande altura, estão dois altares colaterais barrocos.

A festa em honra de Nossa Senhora dos Prazeres realiza-se no 1º Domingo de Agosto que é o dia dedicado a esta santa e dura 4 dias.

Casa dos Capitães

Situada junto ao Largo de Nª Sª dos Prazeres, é um belo edifício do século XVIII com belíssimas janelas aventaladas, cuja reconstrução, constante de uma lápide é de 1779.
É constituída por dois corpos, sendo uma antiga residência dos capitães de milícias e outro formado por antigos cómodos e cavalariças, pois era obrigação do capitão dar guarida e proteção aos viajantes e forasteiros.

Casa dos Carvalhos e o Arq. Eugénio dos Santos

Situada na Rua Direita fica a Casa dos Carvalhos, edifício do Séc. XVIII, de acordo com a data de 1778 que encima uma das portas.
Nesta casa nasceu o Arquiteto Eugénio dos Santos, um dos maiores vultos mundiais da arquitetura e o mais ilustre cidadão de Aljubarrota. Foi o braço direito do Marquês de Pombal na reconstrução de Lisboa, após o terramoto de 1755. De sua autoria foi o projeto da Baixa de Lisboeta e o desenho do Terreiro de Paço e do Arco da Rua Augusta.
Para os homens do Norte é motivo de orgulho, no Porto, o Palácio da Relação, também de sua autoria.
Foi Eugénio dos Santos (Eugénio dos Santos e Carvalho de seu nome completo) o responsável pela reconstrução de Lisboa até à sua morte, na qualidade de Diretor da Casa do Risco das Obras Públicas.

Janelas Manuelinas

Aljubarrota poderia caracterizar-se pelas suas janelas de grande variedade e estilo, (aventadas século XVIII, de cantaria reta, de olho de boi redondas ou ovaladas, de avental quadrangular, de empena superior abaulada e suas variantes).
Mas de entre todas avulta, na Rua Direita, uma janela nobre de estilo Manuelino, de verga recortada e encimada por três cogulos, denotando no desgaste do seu floreado calcário a sua antiguidade.
Fazia parte de um antigo solar quinhentista, a casa de Carreiras, de que restam dois corpos de varandins alpendrados, com suas bases de colunas clássicas.

Arco da Memória

No cume da serra do candeeiros, existe um arco em pedra, de volta perfeita e de estilo romântico, a que o povo chamou Arco da Memória.
Localizado no limite dos Conselhos de Alcobaça e Porto de Mós, é também um dos limites dos antigos Coutos de Alcobaça.
Segundo a lenda, este arco assinala o local onde D. Afonso Henriques fez o voto de conceder à ordem de Cister todas as terras que a sua vista alcançava até ao mar.

Igreja de São Vicente

Situada no Largo do mesmo nome, no extremo nascente da Rua Direita, junto da nacional que liga Alcobaça a Leiria, fica este templo paroquial fundado em 1549, no local onde outrora existiu uma ermida do século XII.

A construção desta igreja foi exigência da população que pretendia a criação de uma segunda freguesia em Aljubarrota, com uma igreja própria no séc XVI. No entanto, o interior bem como o exterior foram profundamente remodelados nos inícios do séc. XX e ainda na reconstrução de 1972, para além dos retábulos e da capela mor este templo apresenta estatuária de valor, em que avulta um grande escultório do século XVI figurando Santa Ana, a Virgem e o Menino.

É particularmente interessante a torre sineira do século XVI, encimada por um invulgar coruchéu em forma de "tiara" ou de três coroas sobrepostas, características do distintivo papal.

No exterior destaca-se ainda o empedrado envolvente á igreja , o pequeno cruzeiro de pedra lavrada e os dois túmulos oitocentistas.

Para além destes, ainda se encontram naquele largo peças de altar e outras peças que faziam parte da traça primitiva da igreja como pequenos fustes de colunas e duas aras de altar monolíticas e decoradas em alto-relevo, agora colocadas no exterior, junto da entrada.

O portal perdeu o significado com a última intervenção, sendo encimado por um pequeno óculo e pela empena que fecha com cruz de pedra, enquanto das paredes laterais ganham realce um significativo conjunto de gárgulas medievais.

De nave única, com teto de madeira disposto em três panos, a igreja é iluminada por janelas laterais e pelo óculo já referido. A capela-mor, de pavimento lajeado, apresenta abóbada de berço coberta a estuque. O altar-mor tem um retábulo, pintado com três painéis e colunas de pedra em estilo salomónico.

Lateralmente encontram-se dois altares seiscentistas, de pedra, dedicados a Santo António e Nossa Senhora do Rosário, com pintura no frontal superior.

Núcleo de Arte Sacra de Aljubarrota (Igreja Paroquial de São Vicente de Aljubarrota)

O núcleo de Arte Sacra de Aljubarrota, conta com um espólio artístico e religioso de grande valor histórico, cultural e litúrgico incorporado numa exposição permanente patente na Igreja Paroquial de São Vicente, ilustrando a excelência do património local. A coleção visitável composta por epigrafia, estatuária, documentação, paramentaria e alfaias litúrgicas, preenchendo um espectro cronológico que vai da Idade Média ao Século XX, esteve durante anos recolhida dos olhares da comunidade local e passante, estando agora disponível para todos num espago museológico assumidamente espiritual, dando substancia e expressão aos princípios que advogam a nova evangelização pela arte.

Este novo fim dado aos objetos litúrgicos preside a organização museológica aplicada em São Vicente de Aljubarrota onde os objetos redimensionados no espaço de museu ganham uma nova vida, passando a ter uma outra dinâmica, um uso diferente da que lhe era dado pelo espaço de culto da igreja.

A exposição está assim dividida em dois momentos distintos mas complementares entre si: a arte sacra e os objetos associados ao ofício litúrgico.

Do conjunto de três dezenas de peças expostas, ganha destaque a beleza suprema das imagens de devoção mariana, em pedra e madeira monocromática ou policromática, ilustrando o culto a Nossa Senhora como é o caso das virgens com o menino ou a magnifica e rara escultura de Santa Ana, com Maria e o Menino (Santas Mães). Do conjunto de bens culturais expostos, sobressai uma importante coleção documental composta pelos missais romanos do século XVII ao XX ou ainda o belíssimo missal cisterciense setecentista, relevo da marca identitária e territorial alcobacense. Entre as alfaias litúrgicas expostas destacam—se importantes artefactos utilizados na eucaristia onde brilha um belo conjunto de cálices de prata e folha de flandres, bem como outras pequenas peças do culto.

Capela de São João

À saída de Aljubarrota e um pouco antes de Olheiros numa estrada à esquerda existe uma ermida antiga, renascentista, que data de 1606. Nela se encontra uma imagem, também antiga e em tamanho grande, de S. João Baptista que segura na mão um livro e um cordeiro. Realiza-se neste local uma festa em honra de S. João.

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